da Redação
17 abril 2026
BRASIL EM FOCO
As pesquisas eleitorais apontam um empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro caso as eleições fossem realizadas hoje, a seis meses do pleito. Caso esses números se mantenham na prática, no primeiro turno, a ser registrado no dia 4 de outubro, os dois deverão passar para o segundo turno em 25 de outubro, mantendo viva a polarização entre a esquerda e a direita. E isso não muda nada na política brasileira nos últimos 30 anos: o PT sempre enfrenta um candidato mais à direita, num processo cansativo e desgastante para a democracia brasileira, que já não aguenta mais esse eterno Fla-Flu. E, o pior, é que nesse jogo modorrento quem perde é o eleitor e o cidadão brasileiro, que não consegue ver os políticos avançarem em soluções para os velhos e repetitivos problemas nacionais. A sociedade, portanto, cansou dessa disputa.
Muito bem. O rançoso embate entre esquerda e direita vem desde o início da redemocratização, em 1989 (Lula x Collor). Se repetiu com FHC contra Lula (em 1994) e voltou a acontecer em 1998 (FHC x Lula). Até aí, sempre com a vitória da centro-direita. Depois veio o período de vitórias da esquerda. Lula, pela esquerda, venceu Serra, pela centro-direita, em 2002; e o petista tornou a derrotar a centro-direita de Alckmin, em 2006, apesar do mensalão que desgastou o PT.
E o período de vitórias da esquerda contra a centro-direita permaneceu com a vitória de Dilma contra Serra, em 2010; e se repetiu na derrota de Aécio contra a esquerda de Dilma em 2014. O PT só não se manteve no poder em seguida porque Dilma foi incompetente com sua política econômica e sofreu impeachment em 2016, dando espaço para a centro-direita de Temer voltar ao poder.
A extrema direita destruiu o País

Mas a prisão de Lula em 2018 levou Haddad para o sacrifício nesse ano, com a derrota para a extrema direita de Bolsonaro. O bolsonarismo não só tirou a esquerda do poder, mas também fez um governo que destruiu as instituições do país e enterrou os principais avanços até então da cidadania, como a economia, a cultura, a saúde, a educação e o meio ambiente, entre outras coisas. Levou o País para o caminho do golpe militar, culminando no 8 de janeiro de 2023.
Antes da tentativa de golpe, porém, veio a nova disputa da esquerda de Lula contra a extrema direita de Jair Bolsonaro em 2022, e o petista só venceu porque recebeu o apoio do centro da senadora Simone Tebet. O fato, porém, é que o esquerdismo de Lula virou novamente opção do eleitorado para derrotar as ideias retrógradas do bolsonarismo.
Mas será que agora, em 2026, vamos ter que engolir novamente o embate entre a esquerda e a extrema direita? Sim, vamos. E, mais uma vez, ficaremos sem opções. Teremos que votar na esquerda para fugir de um governo que promete entregar nossas riquezas para Trump e fazer um governo que vai dar anistia para todos os que tentaram resgatar os tempos de horror da ditadura militar.

O fato concreto é que não temos nenhuma opção entre Lula e Flávio. Seria risível se considerássemos a candidatura de Ronaldo Caiado como opção para a terceira via. O ex-governador de Goiás é tão nocivo quanto Flávio. Ele é um lobo com pele de cordeiro.
Na década de 80, quando disputou a presidência pela primeira vez, ele era presidente da UDR (União Democrática Ruralista), que defendia massacres de sem-terras, que os fazendeiros armados expulsassem militantes do MST de suas fazendas, entre outras coisas.
Hoje, quarenta anos depois, ele não mudou muito, não. É o mesmo apoiador das teses da extrema direita, como a anistia para os golpistas.
Portanto, os que gostariam de ter uma opção entre a esquerda e a direita hoje só têm uma opção: votar em branco ou anular o voto. Essa é a triste realidade da polarização política das últimas quatro décadas.
*Germano Oliveira é diretor do BRASIL CONFIDENCIAL.
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