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Dino “fecha” mais portas para impedir desvio de emendas parlamentares

Em despacho datado desta terça-feira, 12, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou uma série de medidas voltadas...

Dino “fecha” mais portas para impedir desvio de emendas parlamentares

Dino “fecha” mais portas para impedir desvio de emendas parlamentares.

da Redação

12 maio 2026

Em despacho datado desta terça-feira, 12, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou uma série de medidas voltadas à transparência, à prevenção de desvios e ao fortalecimento da fiscalização sobre o uso de recursos das emendas parlamentares.

A decisão ocorre no âmbito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 854, apresentada pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) e acompanhada por entidades como Transparência Brasil e Transparência Internacional. O caso trata da forma como emendas parlamentares são distribuídas e executadas, tema que ganhou relevância diante de denúncias de irregularidades e da proximidade do calendário eleitoral.

Painel de monitoramento

Um dos pontos centrais é a cobrança ao Tribunal de Contas da União (TCU) para que disponibilize ao público o painel de acompanhamento das emendas. Segundo Dino, “é pertinente a disponibilização do mencionado painel para o público geral”, permitindo que qualquer cidadão acompanhe a execução dos recursos por tipo de emenda, autor e unidade da federação.

Limitações da Controladoria-Geral da União

O ministro também destacou a fragilidade da Controladoria-Geral da União (CGU), responsável por auditorias. De acordo com estudo citado na decisão, o número de servidores caiu de 2.700 em 2014 para 1.876 em 2022, com casos de “evasão em massa” após concurso recente. Dino determinou que o órgão se manifeste sobre sua capacidade operacional.

Nepotismo e suplentes de senadores

Outro ponto sensível é a vedação ao nepotismo. Em janeiro, Dino já havia proibido que entidades do terceiro setor ligadas a familiares de parlamentares recebessem emendas. Agora, os amici curiae pedem que a regra seja estendida aos suplentes de senadores, após indícios de irregularidades envolvendo o senador Lucas Barreto (PSD-AP).

Emendas de bancada em São Paulo

A decisão também aborda denúncias de violação à Lei Complementar nº 210/2024, que proíbe o rateio e a individualização de emendas de bancada. Reportagem do jornal O Estado de S. Paulo revelou que deputados federais paulistas teriam recebido a possibilidade de indicar R$ 10 milhões cada em troca de apoio a programas escolhidos pelo governo estadual. Dino determinou que a Procuradoria-Geral do Estado esclareça se houve acordo político e como está sendo garantida a transparência.

Riscos eleitorais

O ministro alertou ainda para o risco de entrelaçamento entre destinatários de emendas e fornecedores de campanhas. “O risco é óbvio: uma pessoa jurídica recebe recursos de emendas indicadas por um parlamentar […] mas outra pessoa jurídica, controlada pelo mesmo beneficiário final, é contratada para fornecer bens e serviços à campanha eleitoral deste parlamentar”, registrou Dino. O caso foi encaminhado ao Tribunal Superior Eleitoral e à Procuradoria-Geral Eleitoral.

Distribuição desigual

Estudos da Confederação Nacional dos Municípios e do Ipea apontaram desigualdades na distribuição de emendas destinadas à saúde. O ministro solicitou manifestação do Ministério da Saúde e dos conselhos de secretários estaduais e municipais para buscar maior equidade.

Próximos passos

O despacho estabelece prazos para que órgãos como TCU, CGU, Senado, Procuradoria de São Paulo e assembleias estaduais se manifestem. Dino concluiu: “Oficie-se […] para que comprovem as providências adotadas com vistas à adaptação dos respectivos processos legislativos orçamentários ao modelo federal”.

Com isso, o STF reforça seu papel de guardião da transparência e da integridade na aplicação das emendas parlamentares, em um momento em que o uso desses recursos se tornou tema central no debate público e eleitoral.

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